A VIDA É TÃO RARA
Por alguns dias venho pensando, "a vida é tão rara", Lenine anda intermediando meus pensamentos. Ou de repente, me deparo novamente "será que é tempo que lhe falta pra perceber? Será que temos esse tempo a perder?" palavras do homem. E penso, quanto tempo foi perdido. E na verdade o que foi ganho? Experiências. O que poderia ter sido lembranças tornaram-se apenas experiências. Partindo de outra conotação, experiências já não é o bastante? Eu devo admitir que acho normal. "A loucura finge que isso tudo é normal." Uma luta constante em ter paciência. Coisa de gente jovem. Corre, corre e corre atrás do que? De muitas coisas, com a preocupação de não fazer errado, como por exemplo tratar pessoas como coisas, nos dias de hoje, isso não me parece tão medonho, tornou-se normal. A falta de experiência faz com que nos enganamos. Uma história óbvia trás ainda algumas esperanças. Longas mentiras de um inverno poético e singular. Não existiu plural. Antes ter o poder de observação. A gente tem mania de esperar de mais, das coisas, das pessoas, do mundo e o retorno é o mesmo. Criar expectativas é coisa de jovem. Está claro os erros. A gente acredita que está na mesma e não está. Interesses distintos de modo de vida. As pessoas foram criadas escutando a moeda. Disso tudo lamentações contínuas. A vida é muito maior e além de tudo rara. Chega de valsa. Chega de enganos. Chega de vastas decepções. A loucura finge que isso é normal e eu, eu finjo ter paciência pra não explodir. Porque quando se é dotado de equílibrio, tudo explode dentro, jamais fora. Nessas e outras é que penso, preciso cuidar mais da alma, ela tem sofrido grandes explosões. Tempo muito perdido, isso me causa tristeza. Tempo perdido. Disperdício.
Escrito por Patrícia Lobo às 10h51
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Almodóvar diz em um trecho do livro "Conversas com Alomodóvar" - explicando emocionalmente como seus personagens Marina e Ricki agem em seu filme - ATA-ME!:
"(...) A diferença essencial entre Marina e Ricki na paixão que os une é que ela é consciente, enquanto ele se deixa levar pelos sentimentos."
Almodóvar fala da vida. Pra mim, sem dúvida alguma um dos melhores contadores de história e diretor autoral. Criou uma linguagem própria.
Escrito por Patrícia Lobo às 15h18
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ATHENAS - CAFÉ E RESTAURANTE
Antes do cinema, nada melhor que um papo em um café.

Localizado no prédio da escola de idiomas Seven, o café/restaurante lota as mesinhas da esquina da Augusta com a Rua Antônio Carlos. No Athenas se misturam os moderninhos da região com as senhoras que se reúnem para bater papo. No cardápio, sanduíches e pratos-feitos com uma pitada de culinária grega, com pratos como o mussaká, gratinado de berinjela com carne moída, e o Psari Palaki, que leva bacalhau ao forno com tomates e cebola caramelizada.
O mais interessante são as variedades de cafés, sendo muito tradicional na Grécia, essa variedade. Um dos mais pedidos é o mokaccino(café com calda de chocolate e chantilly), uma perdição.
Athenas Café e Restaurante
R. Augusta, 1449 - Consolação - Sao Paulo - SP
Tel: (11) 3262-1945
Escrito por Patrícia Lobo às 01h31
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DOMINGO CINZA
Fui assistir o filme: Ensaio sobre a cegueira. (Espaço Unibanco - Rua Augusta).
Do livro do grande escritor português José Saramago, ganhador do prêmio Nobel com o Ensaio sobre a cegueira, que no filme recebe em inglês, o título Blindness que é dirigido por Fernando Meirelles, nos faz parar no tempo e ficarmos extremamentes intáctos, sentado na poltrona da sala de cinema. Que a história é fabulosa, quem teve o privilégio em lê-la sabe bem do que se trata, mas até pelo mérito de bom contador de histórias Saramago faz isso com tomanha habilidade. O que impressionou-me foi a história contada sim, mas na sérima arte, contada em cinema e com uma sensibilidade tamanha de Meirelles. Devo admitir que fui ao cinema sem grandes expectativas, pois toda vez acabo me decepcionando, não que eu torça por isso, mas que livro é livro, histórias contadas em livro trás um resultado individual, mágico e muito particular independente de qualquer opinião alheia. Deparando-me com a história retratada por Meirelles pude perceber nobreza em sua visão sobre sua interpretação de texto. E como trazer algo tão maduro e que chegue próximo do que Saramago consiguiu fazer. Meirelles foi sensível e soube contar sutilmente todo o desenvolvimento da obra Ensaio sobre a cegueira. Trouxe com tamanha competência liguagem e coesão. E deixou sem vaidade alguma a história ficar em si. Sem mais, sem menos. O elenco é bem bacana, levando em conta que Julianne Moore, é certeira - equilíbrio completo em sua atuação. Alice Braga fez muito bem seu papel, com um timbre de voz maravilhoso. Não tem como não realçar a genialidade de José Saramago, fazendo com que nós refletimos sobre valores, independente de posição social, ou condição humana. Que para se ter caráter nenhum desses fatores está relacionado com isso e que no fundo não basta somente olhar e sim perceber a fundo o outro, as situações.
"O foco do filme, no entanto, não é desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado. Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente".
Escrito por Patrícia Lobo às 01h12
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