EU SÓ QUERIA ENTENDER Cada vez que eu leio, mais dúvidas aparecem. Como me satisfaz muito essa coisa de descobrir e querer sempre entender, aprender, enfim, deixar a vida um pouco mais interessante e questionável. E fui agora querer rimar "interessante com questionante", deixei as criações pra inspirações literárias, fui verificar em meu dicionário que comprei semana passada, o abri pela primeira vez. A primeira vez de abrir um dicionário, um livro, uma revista. Voltei as pazes com meu dicionário. Voltando ao que eu estava falando, estava lendo o livro "A sociedade individualizada" Zynmunt Bauman, e quando ele fala sobre segundo Freud, a sociedade futuramente que seria hoje, século 21 sofreria um grande dilema - liberdade ou segurança e justamente aí existiria a infelicidade, na escolha de uma das duas. Eu só queria entender, isso não quer dizer, aceitar, conformar, apenas entender. Às vezes o tão aclamado bem-estar vem de tantas misérias, de tantos maltratos a nossa mãe natureza, deve-se de fato a quê? Segurança? Por trás de ações assim alguns poucos desfrute de bem-estar, isso é apenas um raciocínio entre diversos outros, como bem-estar em relembrar, em tomar banho, em comer um pão na chapa. Tudo depende do ponto de vista. Quantas industrias sobrevivem com excessos e certamente alguns poucos ganham com isso muito dinheiro e possa desfrutar disso como de repente a tal segurança. Eu só queria entender o por quê? E a tal liberdade? Paga-se um preço alto, muito alto, e será que realmente dentro de uma sociedade somos ou existe de fato uma possibilidade de sermos realmente livres? Não me refiro nessa liberdade boba, de rebeldia sem causa, não é isso, o ponto de vista nesse caso é muito mais além. Eu só queria entender. Falsas promessas. Apenas girando no tempo e parando no memso lugar. Eu sinceramente acho interessante essa questão - segurança ou liberdade, escolha sua infelicidade, isso não tem nada a ver com achar Freud demais. Até hoje não curto, acho curioso algumas questões desenvolvidas e fundamentadas a ele, mas sempre achei algo meio não direto e depois na modernidade utilizado Freud pra meia dúzia de intelectualóides falando entre eles e no fundo não falando nada.
Escrito por Patrícia Lobo às 00h15
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ACABA OU NÃO ACABA? "O amor não acaba O amor acaba? O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido... Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos... No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não-correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor."
Escrito por Patrícia Lobo às 22h43
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