QUANDO O VENTO BATE LÁ FORA 
O sol está lá, e o vento bate, bate gelado e aquela sensação de prazer é muito boa. O agasalho junto ao corpo e as mão nos bolsos. O vento rasga um abraço no rosto. Dias de outono-inverno, meus preferidos. Quem disse sobre solidão, pela manhã no café, a fumaça do café passado a moda interiorana - fresco, puro e forte, muito forte, assim como estratégias de produção, Melita - extra-forte. Que solidão seria essa? Uma questão que só se aprende vivendo e com o passar dos dias, meses e anos. Um passo a sabedoria almejada diariamente, aquela calma e tranquilidade que não chega, a tão aclamada ansiedade dos tempos modernos, e que problemão, não? Tudo virou depressão, tarjas pretas, insatisfação. Coisa dos tempos modernos. Se ao menos passasem por essa sensação de outono-inverno dúvido que se sentiriam assim, falta de percepção. Todos nós passamos por isso, falta de observação, de contemplamento. Se o vento soubesse como gosto dele, tudo ficaria mais fácil. O sol sempre está ali, mas justamente essa sensação de outono-inverno, não há explicação. É um prazer, é um dever... Mas vento! Rasga-se sobre mim, abrace-me sem pedir, abrace-me! Pois justamente após essa sensação, lá vou eu querer encontrar por aí um feijão, uma farinha, uma feijoada, ou uma comida mineira, um peito de frango de panela, uma mandioca, uma abobrinha, grão de bico, quiabo, um bom vinho tudo, tudo que me faça receber você, o vento, o outono, o inverno... outono-inverno. Como dizer solidão, se tem tanta coisa por aí, tanta gente, tantos livros, filmes, tanta música. Não. Não podemos dizer, solidão. Seria uma tremenda injustiça. Uma boa companhia, sim. Sempre é bom, dividir sempre foi bom, Marx já dizia, só que muita gente mal o interpreta. O que diria os economistas se não fosse sua teoria, não é mesmo? E a gente insiste em não dividir. É... Exatamente no período do outono-inverno que os filósofos fariam flores, não poderia ter época melhor. Pra quê esperarmos a primavera? Bobagem. E a gente, seres humanos, pessoas, que erram, acertam, toda essa ladaínha, a gente, nós, vós, todos os promones convocados nos machucamos tanto pra poder dividir. Sendo dividindo o pão, dividindo a arrecadação, dividindo a moral, dividindo a amizade, dividindo o amor, dividindo a companhia, dividindo sonhos. Nós somos muito egoístas! Reclamamos e reclamamos. Paremos com isso! Por alguma razão, além da metafísica, tudo que temos, tudo que somos e tudo que deixamos e não teremos, tudo faz parte. E cada um tem o seu. A nossa vaidade está acima de tudo. Assim como um amigo constatou, "dinheiro virou Deus". As pessoas morrem por ele, roubam por ele, vivem por ele, matam por ele, se sacrificam por ele. E pensando bem, mesmo se não fossemos escravos do capitalismo, mesmo assim, teríamos outros grandes problemas, certamente. Porque nós somos seres humanos que alimenta o lado que deseja, mas que temos os dois lados: negativo e positivo. Temos o livre-arbítrio. E nesse outono-inverno, eu só quero que o vento rasgue-se sobre mim e abrace o meu rosto.
Escrito por Patrícia Lobo às 12h20
[]
[envie esta mensagem]
|