FAZ TEMPO Faz tempo que não a vejo, dizia ele em sonoras palavras jogadas dentro de sua cabeça. Cabeça ôca de vez enquando. Pensamentos que pra ele eram sempre seus grandes aliados. Discretamente parecia não se importar, mas sentia e muito. A vida tem dessas, ele também pensava assim. Exatamente agora era com ela que ele queria caminhar de mãos dadas após um encontro. Sabiam bem onde isso tudo iria dar. Sabiam porque trocavam esse tipo de idéia em cafés vázios e solitários, pois era assim que a vida os presenteavam, com apenas alguns cafés que já completavam ausência há quase 1 ano. E era nela que ele pensava. Ele se culpava por simplesmente agir assim, mas já não existiam mais razões, nada, absolutamente nada mudaria, então que seja assim. Continuando só, ele olhava o horizonte onde ele só enxergava prédios, por trás deles ele só enxergava o trabalho, é o que salvavá-o, tendo grandes surpresas inclusive em seu mais alto sonho, a vida na hora exata responde e quando você mais acha que ela é injusta, ela está em cima de sua cama lhe enlouquecendo. Tremores em sua coluna vertebral. E nessa hora, almas que são almas, mesmo sendo humanas, tudo é perdoado. Tudo, porque é muito maior do que pensamos. É por isso que eles fazem, é a forma destas almas lembrarem ou esquecerem de esquecer. Quando se trata de alma, não adianta. Não há mais palavras, mais defesas, é incontrolável! E enquanto isso, ele pensa e ele pensa que ela o detesta, mas por algum sentimento que o avisa em alguma dose de saquê, puro, vem a resposta, a bendita sensibilidade, ela gosta é de você, seu canalha! De você! Por isso que dói tanto. É por isso que faz tempo.
Escrito por Patrícia Lobo às 00h01
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